quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Dois vídeos que estão circulando nas redes sociais, mostram um verdadeiro ato de intolerância religiosa dentro de comunidades do Rio de Janeiro, onde traficantes obrigaram religiosos a quebrarem as próprias imagens sob a mira de uma arma de fogo. Todas as ações foram filmadas pelos próprios criminosos e compartilhada nas redes sociais.

Usando termos cristãos, enquanto a yalorixá, sacerdotisa do local, quebrava as imagens, os traficantes diziam que não admitia a prática de "bruxaria" naquela comunidade. "Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o "demônio-chefe"! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!", falava um dos criminosos no vídeo.


Os "filhos de santo", termo usado para chamar os fiéis, foram obrigados a deixar o local, e com o cano das armas, os criminosos arrancavam os cordões do pescoço deles. Segundo relatos de testemunhas na rádio CBN, os bandidos chegaram a urinar nas imagens.

Segundo informações da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, os casos aconteceram no Parque Flora, em Nova Iguaçu, em um terreiro de Candomblé, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.

Em uma das gravações, um homem é obrigado pelos criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé, ameaçando o homem com um bastão de Beisebol, onde está escrita a palavra "Diálogo". O grupo durante a ação cita o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos cristãos.

"É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o "mano" não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!", dizia o bandido na gravação.

O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas, declarando que os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.


"Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, 'ah, Jesus mandou, fui lá e fiz'. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem construído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas", argumentou Ivanir dos Santos, presidente dos Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. informações e fontes "CBN".


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